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Economia criativa pede novo perfil de profissional de TI

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Entra ano e sai ano a discussão no mercado de TI sempre passa pelo déficit de profissionais e abrem-se debates sobre falta de mão-de-obra especializada e até sobre o tipo de especialista que as universidades entregam e o papel da indústria diante desse problema. Estima-se que a demanda atual seja por 78 mil profissionais por ano, com um déficit de 45 mil vagas.

Mas de fato, o que o mercado tem buscado? Em uma conversa de pouco mais de uma hora com Rodrigo Tafner, coordenador do curso de Sistemas de Informação em Comunicação e Gestão, da ESPM, o primeiro curso de TI da universidade reconhecida por formar profissionais de marketing, um dos pontos cruciais é que a dinâmica do mercado tem mudado muito e quando se observa a transformação trazida pela economia criativa, muitos dos profissionais de tecnologia que estão no mercado ou mesmo saindo das universidades não conseguem acompanhar o ritmo.

Assim, a velha discussão que trazemos com frequência em nossas coberturas de carreira volta ao cenário: o profissional de TI, seja ele em posição de liderança ou aspirando ser líder algum dia, precisa desenvolver capacidades que vão além dos conhecimentos técnicos. Comunicação, relacionamento interpessoal, abertura à inovação, co-inovação e até criatividade passam a integrar o leque de habilidades que esse profissional tem que desenvolver.

Por que isso? “Hoje ele sai formado em sistema de informação e vai trabalhar com ERP, desenvolvimento de software, suporte e nosso foco, em criar um curso diferente, é que os alunos trabalhem com a criação de aplicativos, mas vendo oportunidades de negócio, não fazendo apenas o bê-á-bá das empresas. Queremos formar um pessoal de TI que navegue entre administração, TI e marketing”, argumentou.

E, na verdade, até pela convergência provocada pela tecnologia e por movimentos que se tornaram frequentes, como o marketing liderando iniciativas de mobilidade, mídia social, CRM, entre outros, é necessário que o novo profissional de TI chegue ao mercado com uma cabeça mais aberta e com a possibilidade de transitar melhor entre as áreas e liderar projetos abandonando de vez os velhos silos tecnológicos que eram comuns há alguns anos.

Isso não significa que ninguém que está no mercado possa ocupar esse tipo de posição. Existem vários exemplos de CIOs ou mesmo profissionais de média gerência que estão tendo sucesso na transição, seja por aprendizado próprio, por terem um perfil diferente ou mesmo por buscarem diversificar sua área de conhecimento via pós-graduação, mestrado e MBAs.

No curso desenhado por Tafner e um grupo de professores e profissionais do mercado, o aluno passa 80% das aulas em laboratório e os 20% restante em um ambiente que simula empresas que integram esse mundo de economia criativa, como Facebook, Google, Twitter, entre outros. No currículo, disciplina tradicionais ganham uma roupagem nova com uma abordagem mais voltada à TIC aplicada e não à teoria ou simples codificação. “Temos uma disciplina que chama Ambiente de Produção, ela une hardware, sistema operacionais e aplicações embarcadas, são três disciplinas em uma, mas com um sentido”.

A ideia é fomentar a criatividade. Temas como gamificação, inteligência digital e mobilidade ganham força. Em vez de aulas tradicionais, eles serão convidados a participarem de projetos, a cada aula ou módulo o aluno terá de enfrentar um desafio e isso é bom. “Ele não sai um expert em tecnologia, mas se o programador faltar, ele saberá programar, talvez não com a mesma velocidade, mas saberá.” Mas o mais importante, é que esse profissional saia mais bem preparado para os desafios que o mercado impõe atualmente e esteja pronto para fazer as perguntas corretas na condução de um projeto e também para enxergar os desafios dentro de uma perspectiva de negócio. “Ele não tem que discutir se o banco de dados será Oracle, mas qual o impacto de migrar de um BD para o outro.”

por Vitor Cavalcanti

Microsoft anuncia solução de criptografia para Office 365 e novidades para desenvolvedores no TechEd

terça-feira, 13 de maio de 2014

A Microsoft iniciou nesta semana a edição 2014 do TechEd North America, evento voltado para profissionais de TI, desenvolvedores e empresas realizado em Houston, no Texas. E já na segunda-feira, fez os principais anúncios relacionados aos produtos voltados para esse público: o Office 365 terá um sistema de armazenamento criptografado, o SharePoint Online e o OneDrive for Business receberão um recurso de proteção contra perda de dados (DLP) e o Visual Studio 2013 ganhará o aguardado Update 2, entre outras novidades.

O primeiro item da lista é o mais próxima dos usuários finais, mas o recurso chegará antes, já em julho, aos clientes corporativos da MS. A tecnologia para cifrar os documentos recebeu o codinome Fort Knox, e tem como diferencial o fato de criar uma chave de criptografia para cada arquivo, e não para o disco como um todo. Ou seja, mesmo que um invasor consiga quebrar a segurança do serviço de armazenamento na nuvem, ainda terá que decifrar todo o conteúdo individualmente – o que, nas condições ideais, deve levar algum tempo.
Segundo o TheNextWeb, o sistema ainda distribui os arquivos de um cliente por vários servidores do Microsoft Azure, todos identificados de forma diferente. Dessa forma, os itens ficam espalhados por toda a nuvem da empresa, e mesmo o mapa fica criptografado, dificultando o trabalho de quem conseguir invadir os data centers. No entanto, não ficou muito claro quem ficará com as chaves de criptografia, um ponto decisivo quando falamos de privacidade e proteção de dados.

Em relação ao recurso de DLP, ele estará disponível a partir de junho em documentos guardados no SharePoint ou no OneDrive corporativo – que ainda ganhou uma reforma na interface. Aliás, a funcionalidade, apesar de estar relacionada à perda de dados, não é bem dedicada a criar backups. O foco está no vazamento de informações: ela impede que arquivos com informações sensíveis sejam compartilhados fora do ambiente da empresa.

Visual Studio 2013 e novidades para desenvolvedores – Além dos anúncios envolvendo a nuvem, a Microsoft lançou a versão final do Update 2 para o Visual Studio 2013. A atualização finalmente introduz o suporte ao TypeScript (extensão de JavaScript da MS) e traz o sistema que facilita a criação de aplicativos universais (Universal Apps) revelado na Build no mês passado.

Este última funcionalidade, como o nome sugere, permite que desenvolvedores criem apps para todas as plataformas da MS em um único projeto, o que deve agilizar o processo e, possivelmente, ajudar a ampliar a biblioteca de programas do Windows Phone. Três frameworks de UI são suportados para isso: XAML, HTML e DirectX. Além disso, dá para desenvolver em C#, JavaScript e C++.

A versão online do Visual Studio também foi lembrada no primeiro dia da TechEd: novas APIs foram adicionadas à aplicação, que passa a se integrar a alguns serviços de terceiros – AppHarbor, ClearBlade, eDev Tech, Flowdock e Zendesk são alguns dos parceiros.

Fora o Update 2 e os novos recursos finalizados do Visual Studio Online, a Microsoft ainda divulgou um preview do suporte do programa ao Apache Cordova. A plataforma de código aberto é utilizada por programadores e desenvolvedores para criar aplicativos híbridos, que rodam em Windows Phone, Android e iOS, usando HTML, CSS e JavaScript. Os projetos, segundo informou a empresa, “podem ser construídos, abertos e testados em uma variedade de aparelhos, emuladores de dispositivos e simuladores online”.

.NET Framework e ASP .NET – Por fim, alguns detalhes do .NET de próxima geração e do ASP.NET vNEXT foram dados pela empresa. No caso do primeiro framework, o objetivo da companhia é torná-lo mais ágil tanto em servidores quanto na nuvem. Para isso, segundo o TechCrunch, serão lançados runtimes otimizados para a web, que dispensarão ferramentas mais pesadas.

Já no caso do framework voltado para desenvolvimento web, a principal novidade será a possibilidade de escolher quais bibliotecas e pacotes serão usados no desenvolvimento dos aplicativos. É uma forma de deixá-los também mais leves, distanciando-os da situação atual – os apps precisam hoje usar a mesma versão do ASP.NET disponível em um computador, como lembra o TheNextWeb.

Aliás, outra novidade é a presença do Roslyn. O compilador open source permite que mudanças nas aplicações sejam visualizadas com uma simples atualização da página no navegador, dispensando uma nova compilação e deixando o desenvolvimento mais rápido.

O TechEd North America 2014 continua até o dia 15, a próxima quinta-feira. Mais detalhes relacionados a esses anúncios – ou a outros produtos – ainda podem ser revelados, e se quiser acompanhar as apresentações, clique aqui. Também dá para ver as últimas keynotes por aqui.

Gustavo Gusmão, de INFO Online