Arquivo de outubro de 2013

Dez competências essenciais para profissionais de TI

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O mercado de TI tem crescido muito e no mesmo ritmo estão crescendo as exigências para quem atua nesse ramo. Segundo Sandro Melo, professor e coordenador do curso de Redes de Computadores da BandTec, faculdade de TI ligada ao colégio Bandeirantes, os talentos dessa área precisam reinventar-se constantemente.

“Trata-se de uma área em que o surgimento das novas tecnologias exige uma atualização continuada”, destaca o professor. Ele também observa que as habilidades tradicionais já não são suficientes para atender a atual demanda,

Melo afirma que TI está numa fase de mudanças e requer novas competências. Portanto, é essencial que os cursos universitários acompanhem esse ritmo.

Para ajudar os jovens talentos a se preparem para o mercado de trabalho, Melo lista as dez principais competências que oferecem o mix de habilidades necessárias para suprir as novas exigências das empresas.

1. Cloud computing e virtualização

A computação em nuvem possui um modelo de infraestrutura de TI que provê recursos de modo mais fácil e econômico. Dessa forma, as empresas podem pensar em ter mais aplicações para aprimorar e alavancar negócios, o que, consequentemente, demanda que os profissionais de TI e os desenvolvedores de aplicativos tenham a habilidade de explorar os recursos da nuvem.

O primeiro passo para pensar em uma cloud é ter a capacidade de virtualizar. Todavia é possível ter um ambiente baseado em virtualização que não atenda todos os quesitos para ser classificado com uma infraestrutura de nuvem.

Por isso, cada vez mais, o mercado requer profissionais que conheçam virtualização e que saibam trabalhar com o modelo novo de data center, desenhado para este fim. Apesar de muita tecnologia estar sendo virtualizada, ainda “falta gente com competência apurada nesse segmento”, constata o professor da BandTech.

2. Programação e desenvolvimento de aplicativos

“Saber programar é sempre e será um grande diferencial em qualquer função de TI que o profissional deseja atuar”, afirma Melo. Esta habilidade é importante, não só para quem atua com programação, mas também em outras áreas, como, por exemplo, o profissional de rede e banco de dados, em que o conhecimento de programação passa ser um diferencial para prover automação e escalabilidade.

“As empresas querem funcionários que criem tecnologias com o objetivo de aprimorar processos por meio de programação e desenvolvimento de aplicações”, complementa.

3. Armazenamento de dados

Outra competência em alta é a de armazenamento de dados. “As pessoas falam de computação em nuvem e se esquecem que esses arquivos têm que estar armazenados em algum lugar”, explica Melo. Por isso, há uma demanda crescente de profissionais com capacidade de criar, registrar, armazenar e gerenciar grande quantidade de estoque de dados.

4. Business inteligence

As empresas já aprenderam que inteligência de dados é algo relevante. Apesar de ser uma competência consolidada, as crescentes demandas motivam um campo fértil para expansão e também especialistas com domínio em BI.

5. Big Data

É preciso tratar dados não estruturados e torná-los úteis. Isso demanda profissionais com conhecimentos arrojados, que tenham boa base educacional nas áreas exatas, como cientistas de dados. Big Data é uma das principais prioridades para muitas empresas, mas precisa de pessoas certas para analisar a montanha de informação gerada todos os dias, principalmente a produzida pelas redes sociais.

6. Mobilidade

Em um futuro próximo, as pessoas deixarão de comprar computadores e passarão a utilizar apenas itens móveis. E conforme há o crescimento deste recurso, as empresas passam a precisar, cada vez mais, de profissionais que estejam aptos a lidar com as demandas relacionadas à proliferação de tais dispositivos.

7. IPv6

A “Internet das Coisas” vai gerar um outro conceito computacional, por isso é necessário existir estrutura que permita isso. No entanto, infelizmente, o Brasil ainda é um dos países que pouco fizeram. Muito disso por conta da falta de profissionais capacitados em IPv6.

8. Segurança

Garantir segurança nos ambientes atuais está cada vez mais complexo. Por isso, o mercado tem procurado profissionais que tenham a capacidade não só de construir modelos de segurança, mas também de testá-los, além de serem capaz de atuar quando o problema ocorrer.

9. Soft Skills

Além das competências técnicas listadas acima, cada vez mais as empresas têm reconhecido a importância dos fatores comportamentais no trabalho. Seja para o sucesso dos projetos e processos, ou ainda, para o próprio desenvolvimento profissional, competências globais em gestão têm tido o mesmo peso que os conhecimentos técnicos.

“O ideal é que um profissional tenha um bom equilíbrio entre os hard e os ‘soft skills”, comenta Melo. Para trabalhar essas competências com seus alunos, a BandTec oferece aos estudantes o Programa H, que integra formação humanista aos cursos de TI oferecidos pela instituição.

10. Inglês

Falar inglês na área de TI é essencial. Muitas das tecnologias são desenvolvidas nesse idioma, por isso, assim como uma boa formação, o idioma faz parte das competências necessárias do profissional que escolhe atuar em TI.

“É importante mostrar novos horizontes aos estudantes, preparando-os para o dia a dia das corporações e para diversos desafios da carreira e TI”, conclui Sandro Melo.

A hora dos sistemas de engajamento

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Já temos hoje mais pessoas com celulares que com acesso a água potável ou energia elétrica. A mobilidade está presente no nosso dia a dia e abre espaço para a transformação dos negócios, criando um novo modelo de conexão entre a empresa e seus clientes. Isto demanda uma mentalidade de “mobile first” a partir das especificações dos projetos.

No conceito “mobile first”, o ponto de partida dos processos passa a ser o dispositivo móvel. É uma maneira diferente de pensar os sistemas. Hoje, no modelo mental dos projetos do mundo desktop, os smartphones e tablets são apenas mais um ponto de entrega das informações, ainda com as restrições de terem telas pequenas!

Mas se pensarmos diferente e visualizarmos um sistema de engajamento com os clientes, e não apenas de inserção deles nos processos de transações comerciais ou financeiras? Ou seja, em vez de encarar a mobilidade apenas como uma interface móvel em uma aplicação pré-existente e voltada a processos, pensar em aplicar o conceito instigante de um “system of engagement”, termo criado pelo consultor Geoffrey Moore, autor do conhecido livro e, que pessoalmente recomendo sua leitura, “Crossing the Chasm: Marketing and Selling Disruptive Products to Mainstream Customers”. No final deste post incluí os links para papers interessantes e que remetem a este assunto.

A ideia básica do “system of engagement” é entregar valor ao usuário no momento em que este for necessário. É uma visão holística possibilitada pelos recursos dos dispositivos móveis (contexto de onde seu usuário se localiza naquele determinado momento e o que está fazendo) com as informações já existentes sobre ele nos sistemas tradicionais da companhia, como seu histórico de compras e atividades coletadas pelos sistemas transacionais, acrescido de sua pegada digital deixada nas plataformas sociais.

Os sistemas atuais, ou “system of records”, focam-se nos processos e transações, enquanto os “systems of engagement” concentram-se nas pessoas. Assim, basicamente, os sistemas de participação, ou “system of engagement”, representam uma mudança significativa nos conceitos dos sistemas corporativos atuais, que foram projetados em torno de pedaços discretos de informação, os “registros”. É, portanto, uma diferença conceitual muito grande.

Um exemplo simples. Imaginemos um hotel. No modelo atual, o usuário interage com os processos da empresa seja através do site ou de aplicativo móvel, mas ambos apresentam as mesmas funcionalidades. Permitem que ele faça a reserva, veja como chegar ao hotel e, até mesmo, consulte opiniões de outros hóspedes. Já um aplicativo desenhado pelo modelo “system of engagement” atua de forma diferente. Reconhece que o usuário entrou no lobby do hotel pela primeira vez e, portanto, deseja fazer check-in. Abre interface específica para isso. Usando informações de seu histórico faz o check-in de acordo com suas expectativas. No dia agendado para o check-out, abre a tela específica para isso diretamente no quarto. Isto possibilita a oportunidade de criar uma recepção de hotel sem o tradicional balcão, transformando o lobby do hotel em um verdadeiro lobby, sem atividades transacionais e consequentes filas, de check-in e check-out. Os “systems of engagement” reconhecem o contexto que envolve o usuário e permite que ele interaja com a empresa em todos os seus diferentes momentos de decisão.

Um aplicativo construído pelo conceito de “systems of engagement” baseia-se não apenas nos recursos próprios dos dispositivos móveis (GPS, acelerômetros, etc), mas também de informações coletadas pelos sistemas transacionais, como mídias sociais, utilizando intensamente algoritmos analíticos para tomada de decisões. E como provavelmente tudo isso estará em um ambiente de cloud, vemos na prática os efeitos destas ondas nos projetos de sistemas!

A fórmula para um “system of engagement” é simples: contexto físico (smartphone ou tablet) + inteligência digital (informações dos sistemas atuais, mídias sociais e algoritmos analíticos). Parodiando, seria como um Siri da Apple ou uma miniatura do Watson da IBM incorporado ao conceito do sistema. Em resumo, é necessário um conhecimento profundo das tarefas que seu cliente está tentando executar, além de compreender o contexto de como esta tarefa será realizada. Além disso, o aplicativo deverá aprender com as interações e se adaptar de acordo com este aprendizado.

Que mudanças este conceito acarreta? Por exemplo saímos do modelo de self-service (faça você mesmo o check-in do seu voo usando seu app quando estiver em trânsito no táxi) para um predictive-service, onde o check-in é feito automaticamente ao reconhecer que você está entrando no aeroporto. Além disso, identifica que seu vôo está atrasado e o transfere automaticamente para um voo alternativo.

Claro que no conceito é simples, mas implementar um “system of engagement” não é. Primeiro envolve compreensão e absorção do conceito. Depois precisamos que as fontes geradoras de informação estejam disponíveis. Muitas empresas não usam nem monitoram de forma adequada mídias sociais e, portanto, não conseguem obter delas informações adicionais e importantes sobre seus clientes. Além disso, os processos de negócios, que foram desenhados para transações, têm que ser adaptados para serem focados nas pessoas e no seu engajamento com a empresa.

As questões tecnológicas e os processos de TI também foram desenhados para transações, não para engajamento, e, portanto, precisam mudar. As mudanças ocorrerão nos processos de desenvolvimento de sistemas e, até mesmo, nos procedimentos de segurança e privacidade. Os modelos de segurança baseados em perímetros de defesa tornam-se ineficazes. A razão é simples: provavelmente serão necessários links com apps de diversos provedores, que forneçam serviços específicos, como mapas, compartilhamento de fotos, localização de táxis, entre outros, e que, agrupados aos apps da empresa, consigam fazer com que estes ofereçam a experiência de engajamento desejada. Fica a questão: onde estão os limites do aplicativo corporativo?

Mas as oportunidades estão aí. E, provavelmente, nos próximos anos veremos mais e mais aplicações transformativas baseadas no conceito de “systems of engagement” e “mobile first” sendo disponibilizadas. Sugiro, portanto, que os CIOs e projetistas de sistemas comecem a pensar no assunto.

Os tradicionais “system of records”, como os ERP, já não oferecem vantagens competitivas. São commodities. Geralmente, quem ainda não os implementou são as empresas rotuladas como “late adopters” e que, de maneira geral, estão correndo atrás para se nivelar às empresas que já fizeram isso há muito anos. Portanto, o diferencial não estará mais nos processos repetitivos, mas no “knowledge work”, potencializado pelos “systems of engagement”. Com certeza os sistemas baseados neste conceito é que farão diferença competitiva e valorizarão o papel da TI corporativa que hoje, na maioria das empresas, está em franca desvalorização…

Recomendação de leitura:

“System of engagement”, Geoffrey Moore, no paper “A sea of change in Enterprise IT”:
http://www.aiim.org/~/media/Files/AIIM%20White%20Papers/Systems-of-Engagement-Future-of-Enterprise-IT.ashx .

“A billion of smartphones requires new systems of engagement”, Forrester:
http://blogs.forrester.com/ted_schadler/12-02-14-a_billion_smartphones_require_new_systems_of_engagement

“The Future of Mobile is Context”, Forrester:
http://blogs.forrester.com/julie_ask/11-07-11-the_future_of_mobile_is_context

Para a Anatel, dificuldade de acesso à internet móvel é o principal problema das operadoras brasileiras

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A dificuldade de acesso à internet móvel ainda é o principal problema da telefonia móvel no Brasil. Segundo divulgado no relatório trimestral da Anatel, publicado nessa sexta-feira, a Claro foi a única operadora entre as quatro grandes a cumprir a meta de sucesso nas conexões à internet.
O levantamento mostrado hoje é o quarto feito pela agência, com informações sobre a qualidade do serviço prestado pelas operadoras. Os dados se referem ao período entre maio e julho deste ano, e avaliam quatro indicadores (taxa de sucesso nas conexões de internet, taxa de sucesso no acesso à rede de voz, queda de chamadas e queda nas conexões de internet).
A Anatel afirma que Claro, Oi, TIM e Vivo cumpriram as metas fixadas para os três últimos indicadores, mas a meta de 98% de sucesso nas conexões à internet foi descumprida por Oi, TIM e Vivo. Enquanto a Claro obteve variação entre 98 e 99% de sucesso em conexões, a Oi ficou entre 95 e 96%, enquanto TIM e Vivo obteve 96% de sucesso.
A Anatel acompanha os índices de qualidade dos serviços desde o ano passado, por conta do aumento no número de reclamações dos clientes. Em julho de 2012, a agência suspendeu as vendas de chips da Oi, Claro e TIM nos estados onde as empresas eram campeãs de queixas. As vendas só foram retomadas após as companhias se comprometerem a investir em melhorias em suas redes e em seus canais de atendimento.
O acompanhamento vai durar dois anos, e tem como meta verificar os problemas apresentados pelo setor de telecomunicações, e exigir uma solução das empresas para esses problemas.