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Dificuldades na gestão de Big Data

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

As empresas demonstram confiança em suas estratégias de Big Data e sinalizam que caminham na direção correta. Porém, grande parte dessas companhias ainda sofre para operacionalizar suas estratégias.

“Big Data avança aos poucos. As pessoas começam a entender diferentes tipos de aplicação do conceito e movem projetos de experimentação para produção”, avalia Stephen Baker, CEO da Attivio, fornecedora de soluções focadas em projetos de grandes volumes de dados.

Segundo o executivo, as companhias enfrentam alguns desafios em suas jornadas. Os principais deles vinculam-se à contratação dos recursos adequados a seus objetivos e à criação de uma cultura corporativa orientada a dados.

Entre abril e maio, a Attivio entrevistou 150 executivos de grandes empresas (com mais de 5 mil funcionários) sobre modos como recorrem a Big Data para basear a tomada de decisões corporativas, bem como a forma que se relacionam com provedores de ferramentas para tocarem seus projetos.

No caminho da eficiência

A pesquisa descobriu que 94% dos executivos responsáveis por iniciativas de Big Data, de forma geral, acreditam que suas estratégias estão no caminho certo. Além disso, praticamente todos (98%) afirmaram que suas companhias estimulam os empregados a tomarem decisões com base em dados e evidências.

Adicionalmente, 81% dos respondentes indicaram que suas empresas ampliarão os investimentos no recrutamento de talentos e contratação de ferramentas que permitam extrair ainda mais valor de grandes volumes de dados ao longo dos próximos cinco anos.

O estudo revela que apenas 23% dos respondentes sente que suas empresas atingiu o sucesso pleno em utilizar Big Data para a tomada de decisões.

Dados por todos os lados

Enquanto 78% dos respondentes relatou que um membro da gestão de sua organização puxa os esforços de utilização de analytics, 41% observam que os registros em suas organizações espalham-se por muitos silos, o que dificulta os projetos devido à inacessibilidade. De fato, apenas 23% dos respondentes afirmaram que suas empresas utilizam mais de três quatros dos dados disponíveis.

Mesmo quando esses dados estão acessíveis, as companhias levam muito tempo para acessarem registros coletados a partir de diferentes fontes. Segundo o levantamento, 37% dos respondentes sinalizaram que essas rotinas consomem um dia ou mais – sendo que, em alguns casos, levam semanas.

Esses não são os únicos desafios. De acordo com o levantamento, 59% dos entrevistados revelou que seus sistemas legados para armazenamento de dados requerem muito processamento e não atendem os requerimentos atuais de negócios.

A percepção de que faltam cientistas de dados é correta, sendo que 66% dos participantes do estudo revelaram que encontram dificuldade de contratar profissionais para essa função. Além disso, o estudo revela que há um cenário de “shadow analytics” (contratação de ferramentas a despeito das regras de TI), o que gera problemas de governança da informação junto a 59% dos entrevistados.

 

Fonte: http://computerworld.com.br/empresas-ainda-sofrem-para-operacionalizar-iniciativas-de-big-data

A TI no divã

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Se a área de TI fosse personificada, a primeira coisa que ela faria, hoje, seria buscar um psicólogo. E, com certeza, iniciaria sua sessão com a frase: “Estou perdida!”. De fato, tenho visto muito CIO preocupado com as mudanças agressivas que estão sendo impulsionadas pelos movimentos do mercado. Os investimentos em TI estão migrando, e o olhar está pra fora da empresa. Por anos, CIOs requisitaram um lugar na mesa do conselho e, não mais que de repente, lá estão. E agora?

Nunca foi tão importante para a TI andar de mãos dadas com as áreas de negócios, como hoje. Ora! Essas áreas precisam de soluções tecnológicas para atingir seu público, conquistar e fidelizar clientes. Elas têm budget pra investir em tecnologia – de acordo com os institutos de pesquisa, dois terços do budget. Mas, fique atento: isso não quer dizer que ela precise ficar “presa” à área de TI. Se for preciso, terceirizam. E verdadeiramente o fazem. Eis aí onde se inicia a crise existencial dos CIOs.

A tecnologia atingiu potencial de desempenhar um papel transformador em todos os produtos, serviços e indústrias. Nenhum negócio passará ileso. É o que o Gartner chama de Digitalização. Daí vem o paradoxo: “Nunca estivemos tanto na moda e estamos perdidos!”.

O que parecia a hora de usufruir de todo o investimento feito para a implementação de ERPs, CRMs e BIs, aproveitando dessa estrutura para analisar as informações que vêm dessas aplicações, nos desafia novamente. O ERP é o elefante na sala e que não vai embora tão cedo, gerando gigantescas quantidades de dados e informações. O que antes era business, agora é analytics. Além de informações, precisamos adicionar inteligência! Esse é o ponto crítico que deve ser desenvolvido intencionalmente. O próprio Gartner, inclusive, já coloca essa análise no centro dos negócios.

Nesse sentido, mudanças culturais e de processos se fazem necessárias. Os modelos antigos não vão funcionar mais. Temos que abandonar velhas práticas controladoras, que nossa área mesmo criou, para equilibrar a necessidade de “boa governança”. E, simultaneamente, alimentar as equipes com propósitos capazes de sentir e adaptar-se aos desafios e oportunidades de forma rápida.

A primeira mudança é uma transformação cultural das áreas de TI, que precisam deixar de lado o perfil controlador, intrínseco a essa atividade, e dar lugar à agilidade. Sai a TI processual e entra em cena uma área mais focada em fazer relacionamentos, trazer soluções e olhar pra fora das fronteiras da empresa. Costumo dizer que “a cozinha já está em ordem – a essa altura, deveria. Agora é hora de investir em transformação”. A entrega intencional e planejada de inovações agora é questão de sobrevivência!

A segunda é focar em simplicidade. O que quero dizer com isso? 2014 será um ano muito difícil quando o assunto é expansão. Os investimentos em TI já estão sendo afetados pela desaceleração da economia. Por isso, vale focar em ganho de eficiência e diferenciação. Investir no que dá mais retorno. E, como temos visto, analytics – ou inteligência? – é a bola da vez.

(*) Mauro Oliveira é Vice-Presidente da CI&T para Brasil e América Latina